• André Botinha

Quais vacinas meu filho deveria receber?


Em outubro, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou sua recomendação de Calendário de Vacinação para 2016.

Clique na imagem para ter acesso ao Documento Científico na íntegra

Antes de comentar sobre algumas diferenças importantes entre esse Calendário e o disponível na Rede Pública de Saúde, gostaria de destacar a qualidade do nosso Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Desde que foi criado, em 1973, o Programa leva na bagagem a erradicação da varíola e da poliomielite e, atualmente, disponibiliza mais de 40 imunobiológicos em mais de 30 mil postos de distribuição.

Se tornou uma referencia internacional em política pública de saúde e é reconhecido como um dos melhores programas de imunizações do mundo por especialistas e pela Organização Pan-americana de Saúde (Opas).

Portanto, algo que merece nossa confiança.

Dando sequência, então, quais as diferenças do Calendário da SBP?

Bom, de maneira didática, enxergo basicamente quatro delas:

. Vacinas de eficácia equivalente, mas com menor perfil de eventos adversos

. Vacinas contra os mesmo tipos de doença, mas com proteção mais ampla

. Vacinas que ainda não estão disponíveis no PNI

. Segunda dose de algumas vacinas que, no PNI, são aplicadas em dose única.

Exemplificando rapidamente cada um desses casos:

Do primeiro grupo, o melhor exemplo é a vacina DTP (contra Difteria, Tétano e Pertussis [ou coqueluche]), que está incluída na vacina Pentavalente. A vacina aplicada nos Centros de Saúde é composta por células inteiras e tem maior chance de reações adversas pós-vacinais.

A incidência de alguns eventos adversos é bastante alta inclusive. Porém, em sua maioria, são leves, auto-limitados e desprovidos de complicações maiores. Eles incluem, por exemplo:

. Dor, vermelhidão e inchaço no local de aplicação da vacina.

. Febre e alteração do estado geral (irritabilidade ou sonolência).

Essas reações ocorrem, sobretudo, nas primeiras 24 horas que se seguem à aplicação da vacina.

Em termos da proteção conferida pela vacina, tanto a disponível no Centro de Saúde quanto a oferecida nas clínicas particulares (DTPa) apresentam eficácias equivalentes.

Segundo grupo: Um exemplo, seria a vacina Pneumocócica 10-valente (PVC10) no Centro de Saúde e 13-valente em clínicas particulares. Mas, o que isso significa?

Simples: a vacina do PNI inclui 10 tipos de bactérias que podem causar pneumonia ou meningite, por exemplo. A vacina 13-valente protege contra 3 tipos a mais, além dos 10 incluídos na vacina do calendário básico.

Esse gráfico, mostra o impacto da vacina PCV10 na prevenção de meningite pneumocócica, um ano após a sua introdução no calendário básico.

Dentro do quadro vermelho, os 10 tipos de bactérias contra os quais a vacina administrada nos Centros de Saúde oferece proteção. À direita, fora do retângulo, os três tipos a mais incluídos na vacina 13-valente.

Terceiro grupo! Talvez, o que mais gere dúvidas, sendo um de seus exemplos a Meningite B. A vacina contra a doença é disponível apenas em clínicas particulares.

Escrevemos um tópico sobre esse assunto recentemente e você pode ter acesso a ele aqui: Meu filho preciso mesmo tomar a vacina de Meninigite B?

Farei apenas algumas observações: em Belo Horizonte, não estamos vivendo nenhum surto de Meningite B no momento e não é essa a justificativa para recomendarmos a vacinação contra a doença.

Alguns dados importantes. Precisarei usar alguns gráficos, mas vamos lá!

Vejamos um panorama sobre a doença no Brasil:

No gráfico, percebemos que a Meningite C é a mais comum em todas as regiões do país se considerarmos todas as faixas etárias. Temos a vacina contra Meningite C disponível nos Centros de Saúde desde 2010.

Porém, façamos agora a avaliação por faixa etária e teremos outra realidade:

A Meningite B predomina na faixa etária de 0-4 anos. As crianças pequenas, portanto, são o grupo de maior risco para essa doença.

Mas, qual é esse risco? Qual a chance da minha criança ter meningite B?

Façamos uma extrapolação, portanto, para responder a essa pergunta. Se nos basearmos nos dados nacionais:

Tomemos por base os dados de 2014, considerando a faixa etária menor que um ano (a com as maiores chances de ter a doença).

A incidência naquele ano foi de pouco mais de 1 caso para cada 100 mil habitantes.

Uma possibilidade bastante remota, não?

Mas, então, porque continuamos recomendando a vacinação?

A mortalidade das meningites bacterianas pode atingir os 20-30% a depender do sorogrupo.

Além da significativa possibilidade de ser fatal, uma parte considerável dos sobreviventes ficam com sequelas, muitas vezes, graves.

Por isso, indicamos a vacina. Sabemos que as chances de uma criança adquirir a doença é bastante pequena. Mas, os dados não podem esconder que seja uma doença bastante séria, muitas vezes de evolução fulminante e cujo melhor recurso é a prevenção.

E o quarto grupo?

O quarto são vacinas aplicadas em dose única no PNI cuja aplicação de uma segunda dose apresenta algum benefício.

Um exemplo, seria a vacina contra varicela (catapora).

No Centro de Saúde, a vacina é aplicada em dose única, aos 15 meses de idade, na vacina tetraviral.

A administração de uma segunda dose mostrou aumentar a eficácia da vacina, principalmente na prevenção de formas leves da doença e no combate de surtos.

Vistos os quatro grupos, quais vacinas tomar afinal?

Essa é uma pergunta a ser respondida de maneira individual, considerando vários aspectos.

Claro, o Calendário da Sociedade Brasileira é bastante completo e uma referência.

E várias das vacinas recomendadas são as mesmas disponíveis nos Centros de Saúde, pois temos um dos melhores Programas Públicos de Imunizações do mundo (para ter acesso ao Calendário Nacional de Vacinação disponível nos Centros de Saúde, clique aqui).

Sempre importante conversar com seu pediatra para essas definições. Quais vacinas administrar além do calendário básico, quando serão recebidas, quais vacinas podem ser administradas ao mesmo tempo, qual o intervalo desejável entre vacinas, quais as doenças interferem na imunogenicidade...e por aí vai...

As últimas modificações do Programa Nacional de Imunizações ocorreram este ano e podem ser melhor entendidas no artigo O que mudou no Calendário de Vacinação do seu filho?

Para ter acesso a todos os artigos sobre vacinas já publicados no blog, clique aqui!

Fontes:

1. Camile Moraes - Perfil Epidemiológico da Meningite - Brasil & Mundo

2. Sociedade Brasileira de Pediatria - Calendário de Vacinação 2016


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Telefones de contato:

       Mirim Consultório Pediátrico

(031) 2510-2011

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