• André Botinha

Obesidade na Infância


O cardápio básico do brasileiro – composto de arroz, feijão, bife e salada – sofre hoje a concorrência de opções de pratos rápidos, comida congelada e, para quem tem ainda mais pressa, o chamado fast food.

A obesidade e o sobrepeso afetam 39% das crianças brasileiras, o que representa 1.000% a mais que há 40 anos, segundo o pesquisador e médico brasileiro Victor Keihan Rodrigues Matsudo. E, se continuarmos nesse ritmo de crescimento da obesidade, seremos o país com mais obesos do mundo em 15 anos.

De acordo com o endocrinologista brasileiro Walmir Coutinho, que preside a World Obesity Federation, isto faz parte de um fenômeno chamado de transição nutricional, em que, uma vez superada a falta de alimentos, as pessoas começaram a ter acesso aos produtos mais baratos, que costumam ser altamente industrializados.

Como exemplo, de acordo com os dados da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, somente 1,9% das crianças brasileiras com menos de cinco anos apresentam baixo peso. Em contrapartida, na faixa etária entre 5 e 9 anos, o percentual de crianças com excesso de peso chega a 33,5%. Na adolescência, o quantitativo é de 20,5%. “Sair do supermercado com saquinho de batata frita, salgadinhos, biscoitos e chocolates é mais barato do comprar frutas e verduras”, acrescenta.

Pesquisa recente do Ministério da Saúde apresenta dados alarmantes sobre essa situação. Entre os dados que mais chamaram atenção está o fato de que 32,3% das meninas e meninos brasileiros menores de 2 anos tomam refrigerante e suco de caixinha e que 60,2% deles comem bolacha recheada, biscoitos e bolos prontos.

O marketing que bombardeia crianças com propagandas ligadas a alimentos nada saudáveis, vinculando-os a brinquedos e personagens de sucesso, tornam nossas crianças alvo de uma pressão exagerada da mídia, que incentiva o consumo desses produtos. Recomendo o documentário brasileiro (Muito Além do Peso) que retrata essa questão.

(link: https://www.youtube.com/watch?v=8UGe5GiHCT4)

Outro hábito que ajuda os pequenos a manter os ponteiros da balança lá em cima é a falta de atividade física. Rouba bandeira, bente altas, carrinho de rolimã, futebol de rua são parte da história dos avós da nova geração. Essas atividades perderam espaço como brincadeiras de criança. “[As crianças] precisam correr, pular, andar de bicicleta, patins e passar tardes brincando com outras crianças”, afirma Léa Diamant, endocrinologista da Clínica de Especialidades Pediátricas do Hospital Israelita Albert Einstein.

A ‘geração videogame’ é a grande candidata a formar uma legião de pessoas obesas – que preferem o computador a uma bola de futebol – e com uma série de problemas tanto de saúde física, quanto de mental. E as estatísticas comprovam: 80% dos adultos obesos foram crianças obesas.

A situação se agrava quando percebemos que, cada vez mais cedo, as crianças tem acesso a um grande número de mídias. Pesquisa da Academia Americana de Pediatria revelou que 90% dos pais de crianças menores de dois anos relatam que seus filhos utilizam alguma forma de mídia eletrônica. Há que se estar atento à essas questões. Quando percebemos que crianças são inseridas no mundo das tecnologias como maneira de serem entretidas e, assim, não incomodarem os pais em suas atividades, funcionando como uma babá eletrônica, isso tem que nos levar a uma reflexão.

Além disso, a violência urbana faz com que muitas crianças fiquem presas em casa, na frente da TV e não consigam ir a pé nem de bicicleta para suas atividades. A tendência a adotar meios de transporte não saudáveis pode ser também notada em outros países:

Os exercícios devem fazer parte do cardápio saudável. Deixar de lado o videogame e a TV para ir a um parque, brincar na área de lazer do prédio ou até mesmo participar de atividades nas escolas são fundamentais para a criança, seja ela obesa ou não.

Para Victor Matsudo, crianças de sete e oito anos "não estão fazendo nada, e não têm uma experiência agradável da atividade física, mas gastam o dia inteiro na internet", ou em frente a outras telas. Segundo o médico, existe 90% de possibilidades de uma criança sedentária também ser um adulto sedentário.

Segundo o Departamento Norte Americano de Saúde e Seviços Humanos, as crianças deveriam praticar uma hora de atividade física moderada a vigorosa todos os dias.

Mas vemos que a realidade norte americana é bem diferente disso. Segundo dados recentes, apenas cerca de um terço dos meninos entre 11 e 15 anos seguem essa recomendação. Número ainda menor nas meninas.

O número de crianças obesas também aumentado significativamente nas últimas décadas nos Estado Unidos:

A obesidade está relacionada com as maiores epidemias de doenças do mundo: hipertensão arterial, diabetes tipo 2 e dislipidemia, que, por sua vez, são fatores para doenças cardiovasculares, maior causa de morte nos nossos tempos.

“Mas, além disso, também há o lado psicológico, que muitas vezes é subvalorizado.” Lembra Walmir Coutinho. “As pessoas não se dão conta do impacto psicológico de apelidos dados a essas crianças, do isolamento em que elas vivem e de estereótipos como o menino que só pode jogar no gol, por exemplo.”

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